História da Medicina Ayurveda

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A Ayurveda é um dos quatro Upavedas ou ensinamentos védicos secundários, juntamente com Gandharva Veda (música), Sthapatya Veda (ciência direcional) e Dhanur Veda (artes marciais).

Os Upavedas aplicam o conhecimento védico em linhas específicas para complementar a procura védica de totalidade e libertação. Ayurveda é provavelmente o mais importante destes, porque aborda todos os aspetos de cura e bem-estar do corpo e da mente.

O “corpo” de informação conhecido como Ayurveda foi transmitido oralmente durante séculos, através de canções e de versos conhecidos como os Vedas.

O Rig Veda, com 4.500 anos, é a canção mais antiga, descrevendo em 128 hinos algumas das práticas ayurvédicas da Índia antiga. O Atharva Veda, com 3.200 anos, dá-nos também mais informação sobre as raízes desta medicina.

O primeiro texto ayurvédico, acessível nos dias de hoje, é o Charaka Samhita, escrito pelo médico Charaka, e o Susruta Samhita, de Susruta.

Resumidamente, este sistema milenar hindu de medicina tradicional Indiana é a ciência (veda) da vida (ayur): um sistema holístico de cura e de manutenção da saúde, que encara o ser humano como um todo, e que procura curar o corpo para dar espaço à mente e ao espírito para crescerem.

Deste modo, e de acordo com esta medicina, o ser humano é composto por um corpo físico, outro mental e outro espiritual, sendo que a saúde resulta do equilíbrio destes três corpos.

Embora a saúde seja muito importante para todas as medicinas, incluindo claro a Ayurvédica, não é o principal objetivo desta, mas sim um meio para atingir um fim.

A Ayurveda centra-se no princípio (Samkhya) em que o ser humano é uma miniatura da natureza, sendo que tudo o que está presente na natureza, está presente também no ser humano.

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Este sistema de cura milenar defende que tudo no universo (vivo e não vivo) resulta da combinação de cinco elementos (terra, água, fogo, ar e éter), e que esses elementos dão origem a três diferentes constituições humanas (prakriti, dosha original), que se comportam, pensam e sentem de maneira diferente.

Destas diferentes condições humanas podem nascer diferentes desequilíbrios que impedem o alcance da prosperidade e evolução humana (vrikruti).

Ou seja, da mesma forma como a luz gerada por uma lâmpada é fruto da interação das três cores básicas – amarelo, azul e vermelho; a Prakriti age na criação manifestando os três gunas ou as qualidades da natureza material:

  • Sattwa, o princípio do equilíbrio, da paz, da pureza;
  • Rajas, o princípio do movimento, da atividade, da paixão;
  • Tamas, o princípio da inércia, da escuridão e da ignorância.

Aprofundando só um pouco mais sobre esta filosofia cosmológica védica (samkhya), no Homem:

  • Buddhi é o intelecto, responsável pela faculdade do discernimento.
  • De Buddhi manifesta-se Ahamkara, o ego.
  • Do ego manifesta-se Manas, a mente, o recetáculo de Chitta, a matéria mental, o inconsciente, a memória, de onde advém os Vrittis, os movimentos da mente.

Isso tudo localiza-se no Sukshma sharira (corpo subtil) ou em Mano e Pranamaya kosha (os invólucros da mente e do Prana).

Em Pranamaya kosha, é que se localizam os níveis mais periféricos dos Chakras, as Nadis (condutos de energia) e é aonde os Pranas circulam e atuam.

De Manas, manifestam-se:

  • os 5 Tanmatras (5 sentidos: visão, audição, paladar, olfato, tato),
  • os 5 Jñana indriyas (órgãos de conhecimento: olhos, ouvidos, pele, nariz, língua),
  • os 5 Karma indriyas (órgãos de ação: pés, mãos, boca, ânus, genitais)
  • os 5 Mahabhutas (elementos: terra, fogo, água, ar, éter).

Isso tudo localiza-se em Shtula sharira (corpo denso) ou Annamaya kosha (o invólucro do alimento, área de atuação do Jataragni).

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Finalmente, da interação dos 5 Mahabhutas surge o Tridosha (os três doshas) : vata, pitta e kapha.

E a infinita e complexa interação destes três princípios reflete o aspeto mais material da criação dos níveis macro ao microcósmico em todos os seres vivos.

Os doshas também são a ponte entre nossa mente e nossa fisiologia.
Vata, pitta e kapha, os três doshas, são então os princípios energéticos que estão em constante movimento e, por isso, devemos sempre estar atentos ao presente, avaliando com clareza a nossa situação atual para saber como conduzir a nossa “prática” e as ações do dia-a-dia, novamente rumo ao equilíbrio original, que é sempre relativo à nossa natureza.

É por constantemente interagirmos com o meio que nos cerca, assimilando características e influências que transformam a nossa situação interior, que vamos definindo assim a nossa vrikruti, o estado de desequilíbrio em relação ao dosha original (prakruti).

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